s Ashaninka, os Korubo, os Yanomami, Marubo, Yawanawá, os povos do Xingu e os Guajá e os Suruwahá recebem quem entra no Museu das Amazônias, em Belém. E além deles, as árvores, os rios, as montanhas e o céu envolvem o público, proporcionando uma experiência imersiva na natureza, na Amazônia de Sebastião Salgado. Idealizada para atender um antigo desejo do fotógrafo mineiro, morto em maio deste ano, a exposição “Amazônia” reúne mais de 200 fotos em preto e branco, produzidas ao longo de oito anos de expedições. Depois de passar por cidades como Paris, Londres e o Rio de Janeiro, é a primeira vez que Belém recebe a exposição que propõe uma reflexão sobre o presente e o futuro da floresta.

“O projeto ‘Amazônia’ surgiu exatamente por essa necessidade de mostrar a floresta e alertar para a necessidade de protegê-la”, contou Lélia Wanick Salgado, curadora e responsável pela cenografia da mostra. “A minha intenção com esta cenografia foi fazer o visitante entrar na floresta, e se conectar com a natureza”, disse. A delegação da Unicamp na COP30 recebeu convite especial para uma visita guiada à exposição das fotos.
A cenografia é composta por três estruturas vermelhas em formato de uma grande oca. É nelas que estão as pessoas, os homens e mulheres da floresta, todos identificados por seus nomes. Estas séries de fotografias buscam destacar modos de vida das diferentes comunidades e, o mais importante, desconstruir a ideia de vazio e mostrar uma Amazônia habitada por pessoas que vivem da floresta, mas também para ela.
Nas paredes que contornam as ocas estão cenas dos rios, dos céus e montanhas. Ao fundo, o visitante se depara com grandes fotos da floresta Amazônica. Elas estão penduradas, formando um labirinto que força o visitante a se perder na floresta de Sebastião. “A ideia é que o visitante estabeleça uma relação muito pessoal com as fotografias, com esta floresta que criamos aqui”, explicou Lélia. A experiência é completada pela música, uma composição do músico francês Jean-Michel Jarre, a partir de sons da Amazônia.

A produção da mostra também investiu em recursos de acessibilidade. Além de audiodescrição, legendas e tradução em Libras, pessoas cegas ou com baixa visão podem apreciar parte das obras por meio de réplicas táteis em braile. “Optamos por não trazer fotos da Amazônia destruída ou da floresta em chamas. A gente queria a Amazônia em pé, viva, a Amazônia que nós precisamos”, finalizou.
Serviço
“Amazônias”, por Sebastião Salgado
Museu das Amazônias
Armazém 4ª, Porto Futuro II, Belém
Até fevereiro de 2026
Entrada gratuita
